Em 19 de março de 2025, participei, a convite do Cembra (Centro de Excelência para o Mar Brasileiro), da palestra "Economia Azul e seus Desafios" a qual apresentou o conceito de Economia Azul que se mostra inovador na medida que procura integrar o uso sustentável dos recursos marinhos, das atividades marítimas e dos serviços ecossistêmicos providos pelo oceano, abrangendo setores tão diversos quanto a pesca e aquicultura, o turismo costeiro e marinho, as energias renováveis oceânicas, bem como o transporte marítimo.
Cembra (Centro de Excelência para o Mar Brasileiro) - 2025
Durante o evento, com transmissão ao vivo, foram apresentadas a várias e promissoras oportunidades geradas pela Economia Azul que vão desde a geração de emprego e renda, especialmente em países em desenvolvimento, até a redução das desigualdades sociais gerando tecnologias limpas (como a energia eólica “offshore”) ou a mitigação das mudanças climáticas.
Outra questão importante no campo da Economia Azul é a valorização de ecossistemas marinhos, como manguezais e recifes de corais, que desempenham papéis cruciais na captura de carbono e no equilíbrio climático e ambiental.
Criado em 1994, o termo Economia Azul (ou Economia Oceânica, ou Economia do Mar) faz referência ao conjunto de atividades econômicas que utilizam os recursos marinhos de forma sustentável tendo por princípios: exploração, preservação e regeneração do ambiente marinho; conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos; e, promoção de uma relação positiva entre empreendimentos humanos, atividades econômicas e esforços de conservação.
Tendo em vista os objetivos da Economia Azul, no Brasil, dada a extensão de seu litoral e das potencialidades da Amazônia Azul (a área do oceano Atlântico que abrange o litoral brasileiro) o correspondente potencial de desenvolvimento é enorme.
“No entanto, a implementação da Economia Azul enfrenta desafios consideráveis. A exploração excessiva dos recursos marinhos, a poluição do oceano e a perda de biodiversidade ainda são questões críticas que exigem ações urgentes e eficazes. A carência de regulamentação, a complexidade da governança oceânica e a gestão ineficaz agravam ainda mais esse cenário”; são alguns dos desafios a vencer de imediato.
Assim, a transição para a Economia Azul requer investimentos significativos em tecnologias e infraestruturas limpas, o que, por sua vez, exigirá reorientação de projetos e uma mudança de mentalidade que vise instituir uma cultura oceânica e um posicionamento marítimo positivo para impulsionar a mudança nas práticas relacionadas ao uso sustentável do mar.
O Brasil enfrenta, entretanto, desafios ainda maiores tendo em vista a ausência de dados abrangentes sobre diversos dos setores envolvidos. Então, para que o Brasil possa aproveitar plenamente as oportunidades da Economia Azul, é fundamental investir em políticas públicas eficazes, pesquisa científica e cultura oceânica.
Carlos Magno Corrêa Dias
31/03/2025