No Câmpus da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), no Prado Velho, em Curitiba (PR), houve um tempo em que, em cada bloco, o espaço debaixo das escadas que davam acesso ao segundo andar abrigava uma minúscula sala improvisada. Nela, encontravam-se por vezes uma pequena lousa de giz ou um quadro branco, algumas cadeiras de plástico, uma mesa e, possivelmente, um sofá antigo. Tudo muito simples e meio que surrado (já usado antes). Os usuários iam trazendo sem qualquer organização.
Lembro, com alguma nostalgia e sempre com júbilo, das várias vezes em que me reunia com meus alunos das Engenharias naquelas salinhas, geralmente no Bloco Azul (o das Ciências Exatas), onde ministrava a maioria das minhas aulas naquela Instituição de Ensino.
Meus alunos me levavam para aqueles espaços depois das aulas e lá faziam perguntas além do conteúdo normal, geralmente sobre aplicações práticas dos tópicos trabalhados. Aglomerados na entrada para assistir às aulas extras que eu acabava ministrando ali mesmo, muitos diziam: “É aqui que a gente fica diferente”. Era algo surreal, bacana e sem precedentes.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026
Eu tratava de temas que iam muito além dos conteúdos programáticos das minhas disciplinas. Naquela época, fazia questão de estabelecer a conjunção “pesada” entre a Lógica Matemática e o Cálculo Diferencial e Integral, um procedimento que permitiu formar Bacharéis Engenheiros diferenciados e com expertises distintas do comum.
Aquelas minhas ações, entretanto, davam um “trabalhão” ao saudoso Irmão Firmino, que por várias vezes nos encontrava por lá e perguntava, com sua voz calma, generosa e afetuosa: “O que meninos fazem reunidos aí?”. No entanto, assim que me via, logo dizia: “Professor, vou ver se acho uma sala para o senhor ensinar mais”. Minutos depois, voltava satisfeito e me informava sobre alguma sala desocupada que podíamos utilizar por determinado tempo. Algumas vezes, o Irmão Firmino entrava e, também, assistia às minhas aulas. Era uma honra sem tamanho. Depois, ficávamos apenas conversando sobre as Ciências e a Vida.
O Irmão Firmino Bonato foi um Educador de grande importância para a história educacional da PUCPR e para a formação universitária de professores, além de ter sido membro do Círculo de Estudos Bandeirantes da PUCPR.
O Irmão Firmino (o Mestre Firmino) é tomado como um dos pilares fundamentais para a padronização e o avanço do ensino de Ciências Exatas no país. Como religioso marista, fez parte da rede de educadores que moldou de forma decisiva o panorama do Ensino Católico e Superior no Paraná e em outras regiões do Brasil, refletindo o compromisso histórico da Congregação Marista com o desenvolvimento da Educação de qualidade.
Alguns de meus alunos permaneciam juntos naquelas reuniões com o Irmão Firmino, e um grupo deles passou a integrar a Pastoral Universitária da PUCPR, da qual também fiz parte.
Carlos Magno Corrêa Dias
04/08/2026


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