5 de jul. de 2026

Estratégia de comunicação centrada na Amazônia Azul.


No último dia 29/06/2026, a convite do Cembra (Centro de Excelência para o Mar Brasileiro), tive a oportunidade ímpar de acompanhar a palestra “A Amazônia Azul como um Conceito de Comunicação Estratégica”, realizada em Niterói (RJ) e coordenada pelo Cembra.

O encontro, transmitido ao vivo pelo Canal do YouTube do Cembra, reuniu especialistas e autoridades para discutir três eixos fundamentais: soberania, consciência marítima e construção narrativa do patrimônio oceanográfico brasileiro.

Cembra / Adaptação / Divulgação - 2026

A expressão “Amazônia Azul”, criada, originalmente, pela Marinha do Brasil, estabelece uma analogia direta com a “Amazônia Verde”, evocando biodiversidade, riqueza e soberania. A correspondente formulação simbólica surgiu como resposta a uma carência histórica: a falta de percepção da sociedade civil sobre a importância estratégica do mar para a sobrevivência geopolítica, econômica e ambiental do país.

Tradicionalmente, temas ligados à defesa e ao direito do mar eram restritos a círculos técnicos e militares. O desafio era traduzir tratados internacionais, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), em uma linguagem acessível. Com a “Amazônia Azul” o mar do Brasil deixou de ser apenas um espaço físico e passou a integrar a identidade nacional.

A comunicação estratégica, nesse contexto, não se limita a informar: ela constrói realidades políticas e sociais. Apesar de o Brasil possuir mais de 7,4 mil km de costa, por onde circulam 95% do comércio exterior e de onde se extrai grande parte do petróleo e gás, a sociedade ainda sofre de uma “cegueira estratégica” em relação ao mar.

A consolidação da Amazônia Azul como símbolo de soberania nacional deu legitimidade a investimentos de longo prazo em programas estratégicos, como o PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) e o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul). Além disso, fornece base científica para a expansão da plataforma continental brasileira junto à ONU.

No campo socioeconômico, o conceito impulsiona a Economia Azul, que abrange pesca sustentável, biotecnologia marinha, turismo costeiro e preservação de recursos minerais e energéticos. Essa abordagem busca harmonizar desenvolvimento industrial e conservação ecológica, projetando o Brasil como protagonista em debates globais sobre sustentabilidade e uso responsável dos oceanos.

A Amazônia Azul demonstra que o futuro e a projeção internacional do Brasil dependem não apenas da posse física de suas riquezas, mas da capacidade de comunicar sua importância de forma persuasiva e unificada. Fortalecer a consciência marítima por meio de estratégias de comunicação integradas é o caminho definitivo para assegurar que o Brasil reconheça, valorize e proteja a imensidão que o define.

Carlos Magno Corrêa Dias
05/07/2026