10 de ago. de 2026

História de vida integrada à história da sociedade


A história de um povo e de um Estado, de uma Nação, é edificada cotidianamente pelo esforço silencioso e pela dedicação incansável daqueles que colocam seu trabalho a serviço do bem comum. No contexto das comemorações do Dia Internacional do Trabalho, a celebração do mérito profissional adquire um significado ainda mais profundo, pois transcende o reconhecimento individual para transformar-se em um ato de valorização da própria força transformadora da sociedade.

Ter a grata satisfação e o privilégio de ser homenageado mais de uma vez na Tribuna de Honra da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) com o recebimento do Prêmio Personalidades Empreendedoras do Paraná é significativo na trajetória de todo profissional. Concedida em Sessão Solene por deliberação da Alep, em parceria com a Fundação Força Trabalhista do Paraná (Fotrapar) e a Central Força Trabalhista do Brasil (CFTB), a Honraria de Mérito celebra os relevantes trabalhos prestados em prol da sociedade paranaense e de todo o Brasil.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Receber o título de "Trabalhador Nota 10 do Paraná" é motivo de gratidão a todos os proponentes e organizadores que escolheram meu nome para a concessão de tão expressiva distinção. Expresso agradecimentos à Fotrapar e à CFTB, bem como à Assembleia Legislativa do Paraná, por viabilizarem a realização do evento em tela voltado à valorização do trabalhador paranaense.

O reconhecimento ganha contornos ainda mais memoráveis ao recordar que a Sessão Solene realizada na Tribuna de Honra da Alep tem sido considerada uma das mais expressivas solenidades daquela Casa de Leis. Ver o esforço de uma vida ser enaltecido em uma solenidade de tamanha relevância pública reafirma a certeza de que a dedicação à educação, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento social gera frutos permanentes. Ao lado de ilustres colegas também agraciados, a conquista não se encerra no instante festivo da entrega do diploma; ela se perpetua na construção da memória coletiva.

O tempo avança em seu curso natural e inexorável, trazendo novas etapas e renovando os ciclos da vida, mas o verdadeiro legado permanece intocado pelas engrenagens dos anos. Fica gravada no tempo e no coração a lembrança afetuosa do reconhecimento ao trabalho prestado em prol do desenvolvimento paranaense e brasileiro.

É com júbilo que constato minha história de vida e minha trajetória profissional integradas à história do Paraná e do Brasil. A cada vez que se celebra o correspondente momento, renova-se o compromisso de trabalhar em prol da coletividade com o mesmo entusiasmo e dedicação de vezes anteriores.

Carlos Magno Corrêa Dias
07/08/2026

6 de ago. de 2026

O legado determinado pela insistência.


A persistência órfã de pai e mãe abnegados é filha orgulh
osa da conquista vitoriosa.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Carlos Magno Corrêa Dias
06/08/2026

5 de ago. de 2026

A Arquitetura do Invisível na transformação do real


No Câmpus da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), no Prado Velho, em Curitiba (PR), houve um tempo em que, em cada bloco, o espaço debaixo das escadas que davam acesso ao segundo andar abrigava uma minúscula sala improvisada. Nela, encontravam-se por vezes uma pequena lousa de giz ou um quadro branco, algumas cadeiras de plástico, uma mesa e, possivelmente, um sofá antigo. Tudo muito simples e meio que surrado (já usado antes). Os usuários iam trazendo sem qualquer organização.

Lembro, com alguma nostalgia e sempre com júbilo, das várias vezes em que me reunia com meus alunos das Engenharias naquelas salinhas, geralmente no Bloco Azul (o das Ciências Exatas), onde ministrava a maioria das minhas aulas naquela Instituição de Ensino.


Meus alunos me levavam para aqueles espaços depois das aulas e lá faziam perguntas além do conteúdo normal, geralmente sobre aplicações práticas dos tópicos trabalhados. Aglomerados na entrada para assistir às aulas extras que eu acabava ministrando ali mesmo, muitos diziam: “É aqui que a gente fica diferente”. Era algo surreal, bacana e sem precedentes.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Eu tratava de temas que iam muito além dos conteúdos programáticos das minhas disciplinas. Naquela época, fazia questão de estabelecer a conjunção “pesada” entre a Lógica Matemática e o Cálculo Diferencial e Integral, um procedimento que permitiu formar Bacharéis Engenheiros diferenciados e com expertises distintas do comum.

Aquelas minhas ações, entretanto, davam um “trabalhão” ao saudoso Irmão Firmino, que por várias vezes nos encontrava por lá e perguntava, com sua voz calma, generosa e afetuosa: “O que meninos fazem reunidos aí?”. No entanto, assim que me via, logo dizia: “Professor, vou ver se acho uma sala para o senhor ensinar mais”. Minutos depois, voltava satisfeito e me informava sobre alguma sala desocupada que podíamos utilizar por determinado tempo. Algumas vezes, o Irmão Firmino entrava e, também, assistia às minhas aulas. Era uma honra sem tamanho. Depois, ficávamos apenas conversando sobre as Ciências e a Vida.

O Irmão Firmino Bonato foi um Educador de grande importância para a história educacional da PUCPR e para a formação universitária de professores, além de ter sido membro do Círculo de Estudos Bandeirantes da PUCPR.

O Irmão Firmino (o Mestre Firmino) é tomado como um dos pilares fundamentais para a padronização e o avanço do ensino de Ciências Exatas no país. Como religioso marista, fez parte da rede de educadores que moldou de forma decisiva o panorama do Ensino Católico e Superior no Paraná e em outras regiões do Brasil, refletindo o compromisso histórico da Congregação Marista com o desenvolvimento da Educação de qualidade.

Alguns de meus alunos permaneciam juntos naquelas reuniões com o Irmão Firmino, e um grupo deles passou a integrar a Pastoral Universitária da PUCPR, da qual também fiz parte.

Carlos Magno Corrêa Dias
04/08/2026

4 de ago. de 2026

Notório Exemplo de Fracasso Vivido. (BIS)


No exato momento em que percebermos que nossas vidas valeram terem sido vividas, teremos, certamente, a confirmação de como nossas vidas foram inúteis.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2019 

Carlos Magno Corrêa Dias
04/08/2026

Nota:
O aforismo em questão foi apresentado, também, em 25/07/2013 e em 31/07/2019.

3 de ago. de 2026

Cálculo e Lógica gerando voadores espertos


Não foi uma, nem duas, mas várias vezes: descendo a rampa do prédio das Engenharias do Câmpus Curitiba da Sede Central da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), muito depois das 23 horas, eu parava e punha-me a explicar determinado assunto de Cálculo 3 (Cálculo Diferencial e Integral envolvendo Variáveis Complexas e Análise Vetorial) que acabara de ministrar para meus alunos dos Cursos de Engenharia (geralmente às sextas-feiras).

Vezes houve em que me sentei no chão junto com eles para debater algum ponto de dúvida. Na verdade, a grande maioria da turma permanecia atenta ao redor. Detalhe: quase sempre o estacionamento em frente à Instituição, onde deixava meu automóvel, fechava, e eu me via obrigado a pegar um táxi para retornar para casa depois da meia-noite, pois meu carro ficava lá até o dia seguinte, tendo em vista que o estacionamento fechava às 23h15.

Outras vezes, continuávamos em sala de aula mesmo muito depois do horário, que terminava às 23 horas. Alguns alunos saíam devido a terem que pegar ônibus, mas a maioria permanecia, e as perguntas se estendiam sempre. Os atendentes de alunos (os inspetores) não gostavam muito, pois necessitavam apagar as luzes e fechar as salas depois que tudo acabava. E, nestes dias, o meu carro, mais uma vez, passava a noite no estacionamento e eu retornava para casa de táxi.

Outra ocorrência marcante foi a dos alunos passando “voando” ou “nadando” nos ares pelas janelas das salas onde ministrava minhas aulas, geralmente as duas últimas da noite. As salas tinham aquelas grandes janelas no alto das paredes, próximas ao teto, voltadas para os corredores. Os alunos se organizavam e erguiam no ar seus colegas, dando a impressão real de que estavam voando ou nadando. Várias vezes paravam e davam “tchauzinho” para o professor. Houve situações, também, em que apenas as cabeças apareciam sorrindo subindo e descendo.

O interessante é que muitos desses alunos eram de turmas anteriores e já haviam tido aulas de Cálculo comigo. Segundo eles, era uma forma de homenagear o professor e manter o contato. Na verdade, era uma curtição daquelas, um agito saudável nos corredores.

Houve ocasiões em que até traziam cartazes feitos à mão com dizeres do tipo: “É isto aí mesmo, o bicho vai pegar!”, “Fiquem ligados meninada porque tudo vai mudar depois das Integrais de Superfície”, “Mestre mostra para eles o Cálculo de verdade com as variáveis baseadas em Números Quatérnios”.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Dias memoráveis. Mesmo diante da complexidade e da dificuldade dos temas tratados (sempre com o rigor da Matemática e com as temidas exigências da Lógica), as turmas se mostravam felizes e aplicadas com aquele conhecimento que tanto tem ajudado os atuais Engenheiros cuja formação acadêmica contou com minha contribuição.

Carlos Magno Corrêa Dias
03/08/2026

2 de ago. de 2026

A História de um Gigante Imortal


Diante da marcha das décadas, certos homens se erguem como monumentos inabaláveis da memória nacional. Aos 107 anos, o pernambucano Joaquim Patrício de Araújo, veterano remanescente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), é a síntese viva da bravura, do sacrifício e da dignidade de um país que atravessou o Atlântico para defender a liberdade no mundo.

Nascido em 22/08/1918 no Povoado de Angélica, em Vicência, Pernambuco, Joaquim carrega na pele e na alma a saga de uma nação. Em 1943, ao alistar-se no Exército Verde-Oliva, o jovem sertanejo aceitou o chamado do dever para defender o país, integrando como soldado a Segunda Companhia do Primeiro Batalhão do Primeiro Regimento de Infantaria, o histórico Regimento Sampaio.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

A atuação do Pracinha Joaquim Patrício de Araújo no norte da Itália ultrapassa o heroísmo convencional ao participar das batalhas cruciais e sangrentas do conflito ocorridas no início de 1945 como parte fundamental da Operação Encore. Um dos objetivos da FEB era romper a célebre Linha Gótica, a última e mais fortificada linha de defesa alemã, permitindo o avanço das forças aliadas rumo a Bolonha.

Sob condições absolutamente hostis, o Soldado Joaquim Patrício de Araújo e seus bravos companheiros enfrentaram o fogo impiedoso e a mortífera artilharia inimiga, além do rigor de um inverno implacável, marcado por neve, lama, fome e um terreno extremamente íngreme que transformava os combatentes em alvos vulneráveis. Superando cada uma dessas barreiras com coragem e determinação inabaláveis, os Pracinhas conquistaram posições estratégicas gravando o nome do Brasil na vitória dos aliados.

Contudo, a grandeza de um verdadeiro herói não se encerra nos campos de batalha. Ao retornar vitorioso ao solo pátrio, o FEBiano Joaquim Patrício de Araújo continuou a edificar o país com o suor de seu trabalho civil. Homem de valores sólidos e de profunda dedicação, ele atuou no Departamento Nacional de Endemias Rurais, onde desempenhou um papel relevante para o desenvolvimento e o fortalecimento da saúde pública no interior do Brasil, além de ter trabalhado duro na estiva do Porto do Recife.

Valente no combate e incansável no cotidiano, o nobre veterano demonstrou que o amor à Pátria se traduz tanto na defesa de suas fronteiras quanto no serviço contínuo ao seu povo.

Mais de oito décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, celebrar a vida e a trajetória de Joaquim Patrício de Araújo é um ato de profunda gratidão nacional. Como testemunho vivo e ponte direta entre o Brasil de hoje e os homens que atravessaram o mar para combater o horror em terras estrangeiras, a existência do bravo Joaquim Patrício de Araújo preserva uma experiência que o tempo não pode apagar.

Hurra! Hurra! Hurra! Salve, Salve! Salve o Cobra Fumante, Pracinha, FEBiano e Herói Imortal, Joaquim Patrício de Araújo!

Carlos Magno Corrêa Dias
02/08/2026

31 de jul. de 2026

Recordando reflexões decenais e quinquenais de julho


Ao se alcançar o dia 31 de julho de 2026, volto o olhar para minhas publicações veiculadas em meus espaços digitais pessoais nos marcos de julho de 2016 e julho de 2021. Percebo, então, que o exercício de reflexão comemorativa vem celebrar o compromisso contínuo com o rigor lógico, o desenvolvimento tecnológico e científico, a preservação da memória histórica, a sustentabilidade social e a valoração da dignidade humana.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Há uma década, em julho de 2016, as postagen em evidência destacavam o protagonismo do ensino superior paranaense no ranking QS BRICS, com sete universidades do estado entre as mais respeitadas do bloco, além de celebrar a conquista de cinco medalhas brasileiras na Olimpíada Internacional de Física, em Bangkok. No campo da formação acadêmica, registrou-se a certificação do Curso de Extensão em Cálculo Lógico Dedutivo Sentencial na UTFPR, capacitando estudantes em álgebra proposicional e lógica dedutiva para o desenvolvimento do raciocínio crítico e tomada de decisão.

O compromisso socioambiental manifestou-se na divulgação da Cartilha do PNUD sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), no incentivo ao ODS 4 e na proposição do modelo da Tríplice Hélice do Conhecimento-Inovação, articulando Universidade, Governo e Indústria. A abordagem humanista completou-se com homenagens ao conservacionista Adelmar Coimbra Filho, com o Dilema de Assombrosa Vacância, reflexões sobre o futuro da relação homem-máquina e a celebração dos valores franciscanos de Paz e Bem.

Em julho de 2021, marco quinquenal, minhas publicações reafirmaram o dever de memória histórica ao homenagear os Veteranos Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) por seus feitos na Segunda Guerra Mundial. Na passagem do Dia Nacional do Escritor, celebrou-se a década do registro de propriedade intelectual do livro Lógica Matemática: Introdução ao Cálculo Proposicional e os cinco anos da conclusão de seu curso correspondente.

Homenageou-se Albert Santos Dumont pelo pioneirismo da primeira aeronave dirigível prática e registrou-se a contribuição técnica na elaboração da Rota Estratégica do Papel, voltada à economia circular para 2026, além dos debates em Inovação Aberta e Transformação Digital. No plano humanista, a análise da obra Os Miseráveis, de Victor Hugo, reforçou a urgência do olhar compassivo sobre a miséria humana, somando-se à metáfora existencial da Matrix e aos ideais da paz.

No endereço
https://drive.google.com/file/d/1620c1Lj9ctbeHMsVndB3mojqvUOu8-yS/view?usp=sharing encontram-se as publicações citadas de julho/2016.

No endereço

https://drive.google.com/file/d/1v5Stjpbo2CwiH_CiRMJ-Vg_1wKb_0m8G/view?usp=sharing encontram-se as publicações citadas de julho/2021.

Carlos Magno Corrêa Dias
31/07/2026

30 de jul. de 2026

O legado de "O Legendário" ecoa eternamente.


Em 10 de maio, foi celebrado o DIA DA ARMA DE CAVALARIA, uma homenagem solene ao nascimento do Marechal Manuel Luís Osório (1808-1879), o insigne Marquês de Herval e Patrono da Cavalaria do Exército Verde-Oliva do Brasil.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2025

Personificação perfeita do ideal de lealdade, coragem e devoção à Pátria, o Marechal Manuel Luís Osório construiu uma trajetória incomparável, alçando-se do modesto posto de praça, aos 15 anos de idade, ao topo da hierarquia militar como Marechal, feito extraordinário que o consagrou na memória nacional sob o honorável título de "O Legendário".

A vida do Marechal Manuel Luís Osório foi uma lição contínua de amor e dedicação ao Brasil, impulsionada por sua bravura ímpar e invulgar competência nos campos de batalha. Como brilhante comandante de esquadrões, regimentos e exércitos, desempenhou papel crucial nos momentos mais decisivos do Império, atuando com destaque supremo nas Campanhas da Independência, da Cisplatina, de Monte Caseros e na Guerra da Tríplice Aliança, onde sua visão tática e conduta heroica foram determinantes para consolidar as grandes vitórias brasileiras.

Como costumava ensinar o Nobre Marechal: "Soldados! É fácil a missão de comandar homens livres; basta mostrar-lhes o caminho do dever".

Com a máxima precedente o Marechal Manuel Luís Osório sintetizava a essência de sua liderança humanista e firme. Sua influência transcendeu os campos de combate e projetou-se com enorme respeito no cenário político da época, evidenciando seu profundo engajamento com os rumos do Império.

A nobreza de espírito do Marechal Manuel Luís Osório traduz-se também em sua heráldica: o brasão do Marquês de Herval ostenta orgulhosamente três estrelas douradas, um tributo perpétuo aos três ferimentos de fuzil sofridos em seu rosto na cruenta Batalha de Avaí, em dezembro de 1868 (marcas sagradas de um herói linha de frente que jamais recuou no cumprimento do dever).

Consagrado oficialmente em 1962 como Patrono da Arma de Cavalaria, o Marechal Osório permanece não apenas como um estrategista vitorioso, mas como o próprio símbolo da disciplina, da honra e do civismo que continuam a inspirar as gerações de militares brasileiros.

Em sua homenagem, foi instituída pelo Decreto número 6.618/2008 e regulada pela Portaria número 957/2008 do Comandante do Exército, a Medalha Osório.

O Legendário Marechal Manuel Luís Osório destaca-se como nobre condecoração destinada a premiar os militares que se notabilizam por seu desempenho funcional irrepreensível, conduta ilibada, excepcional preparo físico e espírito esportivo.

Manuel Luís Osório revelou-se, para a eternidade, como um comandante verdadeiramente fascinante, que pelo brilho de sua coragem e força de seu próprio exemplo arrebatou e liderou seus homens na construção e na defesa incondicional da Nação Brasileira.

Carlos Magno Corrêa Dias
30/07/2026

29 de jul. de 2026

O Legado de Max Wolff Filho


A história é pavimentada pelas trajetórias silenciosas de homens simples que, diante do chamado do dever, agigantam-se. Max Wolff Filho (1911-1945) é um destes Heróis Imortais da Pátria que personificam a síntese do caráter nacional: a resiliência no trabalho, a empatia com os semelhantes e uma bravura desmedida.

Nascido na cidade de Rio Negro (PR), em 29/07/1911, há exatos 115 anos, descendente de alemães, Max Wolff Filho, consagrado por seus méritos como o "Rei dos Patrulheiros", cresceu em uma época marcada pelo eco das fronteiras em conflito na Guerra do Contestado e pela memória da Primeira Guerra Mundial. Das madrugadas auxiliando o pai na torrefação de café à rotina vigorosa como escriturário e carregador nos vapores do Rio Iguaçu, compreendeu cedo o valor do suor e do esforço coletivo.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Max Wolff Filho ingressou nas fileiras do Exército e, posteriormente, na Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde atuou como instrutor e comandante de vigilância. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, apresentou-se voluntariamente para servir na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Aos 33 anos, integrado ao tradicional 11° Regimento de Infantaria da FEB, rapidamente conquistou o respeito e o afeto de seus pares. Sua liderança não se impunha pelo temor da hierarquia, mas pelo afeto e pelo exemplo. O tratamento dispensado aos subordinados era notável. Mesmo pertencendo à Companhia de Comando, recusava a “segurança” da retaguarda e encarava a linha de frente.

No ataque a Monte Castelo, a presença de Max Wolff Filho foi incessante: avançava sob o fogo cruzado para abastecer a frente com munições e retornava carregando os feridos e os corpos dos caídos. A lealdade inabalável aos companheiros e a serenidade diante da morte fizeram dele o homem das missões impossíveis, “o voluntário de todas as horas”.

Em 12 de abril de 1945, na região de Riva di Biscia (próximo de Montese, na Itália), à frente de um pelotão de choque especializado, o 2º Sargento Max Wolff Filho marchou com duas fitas de munição trançadas sobre os ombros, com o desassombro típico dos grandes líderes. A rajada inimiga que silenciou seu peito não foi capaz de calar o seu exemplo. A comoção provocada por sua queda gerou atos de bravura quase suicidas por parte de seus homens, que se recusavam a deixar o corpo do comandante para trás. Nos dias seguintes, a grande ofensiva triunfou e Montese foi conquistada.

Promovido post mortem a Segundo-Tenente e condecorado com as mais altas honrarias nacionais e internacionais, o Cobra Fumante legou ao Brasil um patrimônio moral inestimável. O espírito “imparável” e heroico de Max Wolff Filho permanece vivo na memória institucional do Exército Brasileiro.

Hurra! Hurra! Hurra! Salve, Salve, Salve! Salve, Cobra Fumante, FEBiano, Herói da Pátria Brasileira, Rei dos Patrulheiros: Max Wolff Filho!

Carlos Magno Corrêa Dias
29/07/2026