11 de ago. de 2026

FBN é integrada com “Extratos lógicos atemporais”


Em agosto de 2026, completam-se dez anos (uma década) da incorporação dos meus “Extratos lógicos atemporais” (ISBN: 978-85-88925-24-3) ao acervo da Divisão de Depósito Legal (DDL) da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

Efetivado com aceitamento formal a partir de 11/08/2016, conforme o Recibo número 3.138/16, o Depósito Legal de “Extratos lógicos atemporais” na FBN representa o cumprimento da Lei Federal 10.994/2004, marco regulatório do Depósito Legal no Brasil, que assegura o registro, a guarda e a salvaguarda da produção intelectual brasileira, garantindo a preservação da Coleção Memória Nacional da FBN, possibilitando o controle bibliográfico e divulgando a Bibliografia Brasileira corrente.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

“Extratos lógicos atemporais” (ISBN: 978-85-88925-24-3) objetiva promover, de um lado, extensões e, de outro, reflexões, não constituindo defesa unilateral de posições revolucionárias acerca dos correspondentes conhecimentos selecionados. A obra, embora contenha determinadas discussões sistematizadas sobre os assuntos contemplados, não tem por objetivo uma compreensão no sentido estrito do termo, mas, antes, almeja constituir uma impressão sobre os temas expostos sem levar em conta, entretanto, as amarras do tempo ou a contingência do concatenar sequencial de saberes para um fim anunciado.

Não se trata, em sentido rigoroso, de um livro estrito sobre “Lógica” (mesmo que em alguns capítulos em muito se assemelhe). A obra apresenta considerações específicas sobre tópicos de Lógica Matemática, mas sem a preocupação sistêmica de se seguir uma sequência estruturada de exposição ou de encadeamento dos temas tratados. Porém, aborda, também, outros temas que procuram relacionamentos ou aproximações com a “Lógica” para instanciar a geração de novos ou inovadores conhecimentos.

A obra em questão, reunindo trabalhos adaptados de publicações anteriores, foi organizada em cinco capítulos: Capítulo I (Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos); Capítulo II (A Concepção de Rudolf Carnap sobre a Matemática); Capítulo III (Raciocínio Lógico Dedutivo Proposicional); Capítulo IV (Realidade e Segurança nas Nuvens); e Capítulo V (Engenharia Universal e Sustentabilidade).

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2015

“Extratos lógicos atemporais” (ISBN: 978-85-88925-24-3), mesmo depois de uma década de Depósito na DDL/FBN e integrando o acervo da fantástica Biblioteca Nacional, segue cumprindo seu principal objetivo de fornecer perspectivas que permitam extensões e motivem estudos mais aprofundados.

Carlos Magno Corrêa Dias
11/08/2026

Referências:
(1) DIAS, Carlos Magno Corrêa. Extratos lógicos atemporais [Recibo de Depósito Legal]. Rio de Janeiro (RJ): Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Divisão de Depósito Legal (DDL), 11 ago. 2016. Recibo número 3.138/2016.
(2) Prefácio da obra "Extratos Lógicos Atemporais" disponível em: https://repositorio-entelechia-logicae.blogspot.com/2024/03/prefacio-primeira-edicao-de-extratos.html.

10 de ago. de 2026

A Educação como Pilar da Sustentabilidade


Neste agosto de 2026, celebro a publicação do artigo "Educação efetiva é condição para sustentabilidade", veiculado em 8 de agosto de 2016 no blog Giro Sustentável do jornal Gazeta do Povo.

O artigo delineou uma tese fundante: não há possibilidade de consolidação do desenvolvimento sustentável, em quaisquer de suas dimensões, sem que haja uma educação de qualidade capaz de assegurar o aprendizado efetivo e a formação cidadã plena das novas gerações.

A reflexão proposta transcende o diagnóstico conjuntural lançando luz sobre a estrutura do problema educacional brasileiro. Tomando como ponto de partida analítico os dados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), promovido pela OCDE, o texto examina de forma minuciosa a trajetória do país nas áreas essenciais de Leitura, Matemática e Ciências.

A constatação trazida pela análise dos resultados do PISA 2012 revela um cenário alarmante, no qual o Brasil figurou nas últimas colocações entre os 65 países avaliados (58º em Matemática, 55º em Leitura e 59º em Ciências), demonstrando graves limitações dos estudantes na interpretação textual, na aplicação de conceitos científicos no cotidiano e na resolução de problemas matemáticos fundamentais.

Mais do que expor números, o artigo realiza uma denúncia indispensável sobre a cultura do esquecimento e a pulverização da responsabilidade social no país. Há uma incoerente desconexão entre a indignação temporária provocada pela divulgação de diagnósticos educacionais negativos e a falta de ações sérias e continuadas para reverter esse quadro. Sem uma transformação drástica e contínua nas políticas públicas, o ciclo de estagnação se perpetua, comprometendo o horizonte das futuras gerações e fragilizando as bases do desenvolvimento socioeconômico nacional.

No artigo é considerado que a educação não representa uma meta isolada, mas o motor central para o êxito de todos os demais objetivos globais, desde a erradicação da pobreza e a promoção da saúde até a inovação tecnológica, o trabalho digno e o combate às mudanças climáticas.

Revisitar o artigo em tela é reafirmar que a busca pela sustentabilidade exige o engajamento consciente de toda a sociedade. A mensagem veiculada em 2016 permanece urgente, servindo como farol reflexivo para lembrar que a verdadeira sustentabilidade não se constrói com discursos abstratos, mas sim com o fortalecimento de uma educação efetiva, transformadora e verdadeiramente inclusiva.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

O artigo está disponível no endereço: https://drive.google.com/file/d/1OY5kVILBBpK-KtJ6oDaTSBx5-mP7ODxU/view?usp=sharing.

Carlos Magno Corrêa Dias
10/08/2026

9 de ago. de 2026

Refletindo sobre um bem de todos


A discussão sobre as dinâmicas globais de produção, circulação e apropriação do saber ganha um capítulo particular no artigo "O Conhecimento como Patrimônio da Humanidade".

O texto em tela propõe uma reflexão crítica e profundamente necessária ao posicionar a Ciência Aberta e o Acesso Aberto não como escolhas metodológicas secundárias, mas como imperativos éticos e políticos inalienáveis.

No artigo em referência sustento que todo conhecimento científico financiado com recursos públicos deve ser categorizado como um bem comum universal, pertencente de forma irrestrita a toda a sociedade.

Ao se contextualizar a realidade da América Latina, região que construiu historicamente uma tradição sólida e pioneira no cenário global ao estruturar ecossistemas de acesso aberto mantidos por infraestruturas públicas e plataformas acadêmicas não comerciais, o texto expõe o paradoxo financeiro imposto aos pesquisadores e instituições do Sul Global, que enfrentam barreiras econômicas perversas criadas por grandes editoras internacionais através de elevadas taxas de publicação.

Além dos entraves financeiros, o artigo detalha os conflitos estruturais entre a partilha aberta e a lógica mercantil da proteção por patentes. Demonstra-se que a circulação irrestrita das evidências científicas é o caminho mais eficiente para reduzir custos, evitar duplicações desnecessárias de pesquisas e acelerar a descoberta de soluções para os desafios contemporâneos.

Para fundamentar a superação dos correspondentes gargalos, estabelece-se um paralelo com a secular Lei do Depósito Legal ao propor a urgência de uma Engenharia da Confiança (uma arquitetura voltada a garantir a auditabilidade, a reprodutibilidade dos experimentos e a segurança do patrimônio científico nacional contra obsolescências ou cercamentos privados).

Como observado no final do texto em questão, “... o Estado deve exercer seu papel indutor indispensável, financiando o risco tecnológico e subsidiando os custos de inserção dos pesquisadores locais no cenário internacional. A formulação de manifestos técnicos e declarações conjuntas entre academias de ciências internacionais simboliza o caminho a seguir, haja vista a necessidade de uma diplomacia científica unificada, forte e focada na premissa inalienável de que o saber não é propriedade de corporações, mas sim um patrimônio perpétuo de toda a humanidade”.

Faz-se, então, o convite para a leitura na íntegra do artigo "O Conhecimento como Patrimônio da Humanidade", o qual está disponível em: (1) FNE: https://www.fne.org.br/artigos/7673-o-conhecimento-como-patrimonio-da-humanidade e (2) Seesp: https://www.seesp.org.br/site/comunicacao/noticias/item/23988-o-conhecimento-como-patrimonio-da-humanidade.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Carlos Magno Corrêa Dias
09/08/2026

8 de ago. de 2026

A Ilusão da Era Conectada


Poucas experiências foram tão reveladoras quanto o dia em que decidi alterar a dinâmica de uma avaliação de Cálculo Diferencial e Integral 3 para uma turma de Engenharia Mecânica. O exame, focado em Integrais envolvendo Funções Hiperbólicas, fora planejado tradicionalmente: sem consulta, sem calculadoras e sem formulários. No entanto, após repassar as orientações rotineiras, surpreendi os estudantes com um anúncio inusitado: “A avaliação de hoje poderá ser realizada com consulta a todo material e recursos que estejam em seu poder agora. Apenas mantenham a prova individual, sem troca física de informações com os colegas da sala.”

O impacto foi imediato. Tomados por um silêncio atônito, os acadêmicos entreolhavam-se sem acreditar. Vindo do fundo da sala, um aluno perguntou: “Posso mandar mensagens pelo celular para a minha mãe, professor?”

Ao que respondi: “Claro que sim. Podem usar internet, livros, cadernos, notebook, smartphone, formulários, WhatsApp ou até sinais de fumaça. Só não podem sair da sala ou receber material físico de fora.” Outro estudante, perplexo, desabafou: “Desta vez morri. Só trouxe uma caneta.”

Superada a agitação inicial, a atmosfera mudou quando os alunos perceberam que todas as questões da prova eram idênticas aos exercícios resolvidos das listas distribuídas previamente ao longo do semestre. Murmúrios tomaram a sala: “Todas as questões são iguais às das listas.”

A euforia, contudo, durou pouco. Diversos estudantes começaram a entregar a prova em branco ou incompleta, apresentando justificativas estarrecedoras: “Assim não vale, professor, pois as questões da prova são cópias das listas, mas eu não tenho mais os arquivos”; “Apaguei os exercícios do celular para liberar memória”; “Meu notebook descarregou e esqueci o carregador em casa”; “Achei que as listas não serviam para nada”.

Aquele episódio escancarou um contraste desconcertante entre a abundância tecnológica e o letramento funcional na universidade. O paradoxo central residia na distância entre o dado disponível e a capacidade real de interpretá-lo e aplicá-lo.

Ao delegar a memória e a atenção integralmente aos dispositivos virtuais, o estudante moderno torna-se refém da própria ferramenta que deveria libertá-lo. Ter a informação a um toque de dedos difere substancialmente de possuir o conhecimento consolidado no pensamento.

A lição foi clara: a verdadeira autonomia acadêmica não está na posse do dispositivo, mas na capacidade crítica de gerenciar a informação. A mera disponibilidade de acervos não garante o aprendizado real; ao contrário, pode nutrir uma falsa sensação de sabedoria imediata que desestimula o estudo contínuo e a assimilação profunda.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Diante dos resultados alarmantes, obriguei-me a cancelar aquela avaliação e não mais repetir a experiência. Restou o alerta sobre o enorme fosso que ainda separa a conectividade técnica da maturidade intelectual nas universidades.

Carlos Magno Corrêa Dias
08/08/2026

7 de ago. de 2026

História de vida integrada à história da sociedade


A história de um povo e de um Estado, de uma Nação, é edificada cotidianamente pelo esforço silencioso e pela dedicação incansável daqueles que colocam seu trabalho a serviço do bem comum. No contexto das comemorações do Dia Internacional do Trabalho, a celebração do mérito profissional adquire um significado ainda mais profundo, pois transcende o reconhecimento individual para transformar-se em um ato de valorização da própria força transformadora da sociedade.

Ter a grata satisfação e o privilégio de ser homenageado mais de uma vez na Tribuna de Honra da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) com o recebimento do Prêmio Personalidades Empreendedoras do Paraná é significativo na trajetória de todo profissional. Concedida em Sessão Solene por deliberação da Alep, em parceria com a Fundação Força Trabalhista do Paraná (Fotrapar) e a Central Força Trabalhista do Brasil (CFTB), a Honraria de Mérito celebra os relevantes trabalhos prestados em prol da sociedade paranaense e de todo o Brasil.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Receber o título de "Trabalhador Nota 10 do Paraná" é motivo de gratidão a todos os proponentes e organizadores que escolheram meu nome para a concessão de tão expressiva distinção. Expresso agradecimentos à Fotrapar e à CFTB, bem como à Assembleia Legislativa do Paraná, por viabilizarem a realização do evento em tela voltado à valorização do trabalhador paranaense.

O reconhecimento ganha contornos ainda mais memoráveis ao recordar que a Sessão Solene realizada na Tribuna de Honra da Alep tem sido considerada uma das mais expressivas solenidades daquela Casa de Leis. Ver o esforço de uma vida ser enaltecido em uma solenidade de tamanha relevância pública reafirma a certeza de que a dedicação à educação, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento social gera frutos permanentes. Ao lado de ilustres colegas também agraciados, a conquista não se encerra no instante festivo da entrega do diploma; ela se perpetua na construção da memória coletiva.

O tempo avança em seu curso natural e inexorável, trazendo novas etapas e renovando os ciclos da vida, mas o verdadeiro legado permanece intocado pelas engrenagens dos anos. Fica gravada no tempo e no coração a lembrança afetuosa do reconhecimento ao trabalho prestado em prol do desenvolvimento paranaense e brasileiro.

É com júbilo que constato minha história de vida e minha trajetória profissional integradas à história do Paraná e do Brasil. A cada vez que se celebra o correspondente momento, renova-se o compromisso de trabalhar em prol da coletividade com o mesmo entusiasmo e dedicação de vezes anteriores.

Carlos Magno Corrêa Dias
07/08/2026

6 de ago. de 2026

O legado determinado pela insistência.


A persistência órfã de pai e mãe abnegados é filha orgulh
osa da conquista vitoriosa.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Carlos Magno Corrêa Dias
06/08/2026

5 de ago. de 2026

A Arquitetura do Invisível na transformação do real


No Câmpus da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), no Prado Velho, em Curitiba (PR), houve um tempo em que, em cada bloco, o espaço debaixo das escadas que davam acesso ao segundo andar abrigava uma minúscula sala improvisada. Nela, encontravam-se por vezes uma pequena lousa de giz ou um quadro branco, algumas cadeiras de plástico, uma mesa e, possivelmente, um sofá antigo. Tudo muito simples e meio que surrado (já usado antes). Os usuários iam trazendo sem qualquer organização.

Lembro, com alguma nostalgia e sempre com júbilo, das várias vezes em que me reunia com meus alunos das Engenharias naquelas salinhas, geralmente no Bloco Azul (o das Ciências Exatas), onde ministrava a maioria das minhas aulas naquela Instituição de Ensino.


Meus alunos me levavam para aqueles espaços depois das aulas e lá faziam perguntas além do conteúdo normal, geralmente sobre aplicações práticas dos tópicos trabalhados. Aglomerados na entrada para assistir às aulas extras que eu acabava ministrando ali mesmo, muitos diziam: “É aqui que a gente fica diferente”. Era algo surreal, bacana e sem precedentes.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Eu tratava de temas que iam muito além dos conteúdos programáticos das minhas disciplinas. Naquela época, fazia questão de estabelecer a conjunção “pesada” entre a Lógica Matemática e o Cálculo Diferencial e Integral, um procedimento que permitiu formar Bacharéis Engenheiros diferenciados e com expertises distintas do comum.

Aquelas minhas ações, entretanto, davam um “trabalhão” ao saudoso Irmão Firmino, que por várias vezes nos encontrava por lá e perguntava, com sua voz calma, generosa e afetuosa: “O que meninos fazem reunidos aí?”. No entanto, assim que me via, logo dizia: “Professor, vou ver se acho uma sala para o senhor ensinar mais”. Minutos depois, voltava satisfeito e me informava sobre alguma sala desocupada que podíamos utilizar por determinado tempo. Algumas vezes, o Irmão Firmino entrava e, também, assistia às minhas aulas. Era uma honra sem tamanho. Depois, ficávamos apenas conversando sobre as Ciências e a Vida.

O Irmão Firmino Bonato foi um Educador de grande importância para a história educacional da PUCPR e para a formação universitária de professores, além de ter sido membro do Círculo de Estudos Bandeirantes da PUCPR.

O Irmão Firmino (o Mestre Firmino) é tomado como um dos pilares fundamentais para a padronização e o avanço do ensino de Ciências Exatas no país. Como religioso marista, fez parte da rede de educadores que moldou de forma decisiva o panorama do Ensino Católico e Superior no Paraná e em outras regiões do Brasil, refletindo o compromisso histórico da Congregação Marista com o desenvolvimento da Educação de qualidade.

Alguns de meus alunos permaneciam juntos naquelas reuniões com o Irmão Firmino, e um grupo deles passou a integrar a Pastoral Universitária da PUCPR, da qual também fiz parte.

Carlos Magno Corrêa Dias
04/08/2026

4 de ago. de 2026

Notório Exemplo de Fracasso Vivido. (BIS)


No exato momento em que percebermos que nossas vidas valeram terem sido vividas, teremos, certamente, a confirmação de como nossas vidas foram inúteis.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2019 

Carlos Magno Corrêa Dias
04/08/2026

Nota:
O aforismo em questão foi apresentado, também, em 25/07/2013 e em 31/07/2019.

3 de ago. de 2026

Cálculo e Lógica gerando voadores espertos


Não foi uma, nem duas, mas várias vezes: descendo a rampa do prédio das Engenharias do Câmpus Curitiba da Sede Central da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), muito depois das 23 horas, eu parava e punha-me a explicar determinado assunto de Cálculo 3 (Cálculo Diferencial e Integral envolvendo Variáveis Complexas e Análise Vetorial) que acabara de ministrar para meus alunos dos Cursos de Engenharia (geralmente às sextas-feiras).

Vezes houve em que me sentei no chão junto com eles para debater algum ponto de dúvida. Na verdade, a grande maioria da turma permanecia atenta ao redor. Detalhe: quase sempre o estacionamento em frente à Instituição, onde deixava meu automóvel, fechava, e eu me via obrigado a pegar um táxi para retornar para casa depois da meia-noite, pois meu carro ficava lá até o dia seguinte, tendo em vista que o estacionamento fechava às 23h15.

Outras vezes, continuávamos em sala de aula mesmo muito depois do horário, que terminava às 23 horas. Alguns alunos saíam devido a terem que pegar ônibus, mas a maioria permanecia, e as perguntas se estendiam sempre. Os atendentes de alunos (os inspetores) não gostavam muito, pois necessitavam apagar as luzes e fechar as salas depois que tudo acabava. E, nestes dias, o meu carro, mais uma vez, passava a noite no estacionamento e eu retornava para casa de táxi.

Outra ocorrência marcante foi a dos alunos passando “voando” ou “nadando” nos ares pelas janelas das salas onde ministrava minhas aulas, geralmente as duas últimas da noite. As salas tinham aquelas grandes janelas no alto das paredes, próximas ao teto, voltadas para os corredores. Os alunos se organizavam e erguiam no ar seus colegas, dando a impressão real de que estavam voando ou nadando. Várias vezes paravam e davam “tchauzinho” para o professor. Houve situações, também, em que apenas as cabeças apareciam sorrindo subindo e descendo.

O interessante é que muitos desses alunos eram de turmas anteriores e já haviam tido aulas de Cálculo comigo. Segundo eles, era uma forma de homenagear o professor e manter o contato. Na verdade, era uma curtição daquelas, um agito saudável nos corredores.

Houve ocasiões em que até traziam cartazes feitos à mão com dizeres do tipo: “É isto aí mesmo, o bicho vai pegar!”, “Fiquem ligados meninada porque tudo vai mudar depois das Integrais de Superfície”, “Mestre mostra para eles o Cálculo de verdade com as variáveis baseadas em Números Quatérnios”.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Dias memoráveis. Mesmo diante da complexidade e da dificuldade dos temas tratados (sempre com o rigor da Matemática e com as temidas exigências da Lógica), as turmas se mostravam felizes e aplicadas com aquele conhecimento que tanto tem ajudado os atuais Engenheiros cuja formação acadêmica contou com minha contribuição.

Carlos Magno Corrêa Dias
03/08/2026

2 de ago. de 2026

A História de um Gigante Imortal


Diante da marcha das décadas, certos homens se erguem como monumentos inabaláveis da memória nacional. Aos 107 anos, o pernambucano Joaquim Patrício de Araújo, veterano remanescente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), é a síntese viva da bravura, do sacrifício e da dignidade de um país que atravessou o Atlântico para defender a liberdade no mundo.

Nascido em 22/08/1918 no Povoado de Angélica, em Vicência, Pernambuco, Joaquim carrega na pele e na alma a saga de uma nação. Em 1943, ao alistar-se no Exército Verde-Oliva, o jovem sertanejo aceitou o chamado do dever para defender o país, integrando como soldado a Segunda Companhia do Primeiro Batalhão do Primeiro Regimento de Infantaria, o histórico Regimento Sampaio.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

A atuação do Pracinha Joaquim Patrício de Araújo no norte da Itália ultrapassa o heroísmo convencional ao participar das batalhas cruciais e sangrentas do conflito ocorridas no início de 1945 como parte fundamental da Operação Encore. Um dos objetivos da FEB era romper a célebre Linha Gótica, a última e mais fortificada linha de defesa alemã, permitindo o avanço das forças aliadas rumo a Bolonha.

Sob condições absolutamente hostis, o Soldado Joaquim Patrício de Araújo e seus bravos companheiros enfrentaram o fogo impiedoso e a mortífera artilharia inimiga, além do rigor de um inverno implacável, marcado por neve, lama, fome e um terreno extremamente íngreme que transformava os combatentes em alvos vulneráveis. Superando cada uma dessas barreiras com coragem e determinação inabaláveis, os Pracinhas conquistaram posições estratégicas gravando o nome do Brasil na vitória dos aliados.

Contudo, a grandeza de um verdadeiro herói não se encerra nos campos de batalha. Ao retornar vitorioso ao solo pátrio, o FEBiano Joaquim Patrício de Araújo continuou a edificar o país com o suor de seu trabalho civil. Homem de valores sólidos e de profunda dedicação, ele atuou no Departamento Nacional de Endemias Rurais, onde desempenhou um papel relevante para o desenvolvimento e o fortalecimento da saúde pública no interior do Brasil, além de ter trabalhado duro na estiva do Porto do Recife.

Valente no combate e incansável no cotidiano, o nobre veterano demonstrou que o amor à Pátria se traduz tanto na defesa de suas fronteiras quanto no serviço contínuo ao seu povo.

Mais de oito décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, celebrar a vida e a trajetória de Joaquim Patrício de Araújo é um ato de profunda gratidão nacional. Como testemunho vivo e ponte direta entre o Brasil de hoje e os homens que atravessaram o mar para combater o horror em terras estrangeiras, a existência do bravo Joaquim Patrício de Araújo preserva uma experiência que o tempo não pode apagar.

Hurra! Hurra! Hurra! Salve, Salve! Salve o Cobra Fumante, Pracinha, FEBiano e Herói Imortal, Joaquim Patrício de Araújo!

Carlos Magno Corrêa Dias
02/08/2026