A capacidade de transformar Conhecimento Científico em Inovação com real impacto econômico e social consolidou-se como um dos debates mais urgentes e estratégicos para o futuro da América Latina a qual, historicamente, produz Ciência de excelência nas Universidades, mas enfrenta um grave dilema: o medo da apropriação indevida de ideias ainda limita a circulação do saber no Brasil.
O impasse se mantém: se o trabalho de pesquisa é publicado para garantir o pioneirismo científico, quebra-se o critério de novidade exigido pelo direito patentário; se guarda segredo para negociar com a Indústria, freia-se a pesquisa aberta. Ssse isolamento defensivo transforma Universidades em "torres de marfim", distantes da realidade produtiva.
Para atacar de frente as feridas profundas do Ecossistema Científico, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) realizou em 8 de junho de 2026, no Rio de Janeiro (RJ), o evento internacional intitulado “A Interface Ciência-Inovação na América Latina” o qual reuniu Cientistas, Gestores e Especialistas do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá e Peru.
Finep - Ianas - ABC - 2026
Realizado em parceria com a Ianas (Rede Interamericana de Academias de Ciências) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o encontro destacou a diplomacia científica do continente sendo catalisador para propor uma aproximação urgente entre Academia e Mercado baseada em políticas públicas integradas. O ponto alto e de impacto mais duradouro do evento foi a formulação de uma declaração conjunta entre as Academias participantes.
Há décadas venho observando e defendendo uma premissa simples e poderosa: se a pesquisa científica é financiada com recursos públicos, seus resultados pertencem à sociedade. O conhecimento é um patrimônio da humanidade e não pode ficar aprisionado nas “torres de marfim” que se transformam as Universidades.
Cobrar por artigos científicos através de paywalls (bloqueios de acesso pago) ou trancar o saber sob patentes restritivas significa fazer o cidadão pagar duas vezes: primeiro para produzir a Ciência, depois para acessá-la. Uma ideia trancada na gaveta por medo de cópia neutraliza seu próprio valor, não gera riqueza e não transforma a realidade.
Para que o saber flua com segurança dos laboratórios para as linhas de produção, defendo uma "Engenharia da Confiança", baseada nos pilares da Inovação Aberta (“Open Innovation”) e do Acesso Aberto (“Open Access”).
Transpor o abismo entre a realidade das Academias e o Mercado demanda segurança jurídica, desburocratização e, acima de tudo, uma mudança cultural. A “Inovação Sustentável” somente se consolidará quando o ambiente acadêmico compreender que o meio de produção é o laboratório de testes da vida real, e quando o setor produtivo entender que a produção científica de base é o alicerce de qualquer tecnologia disruptiva.
Carlos Magno Corrêa Dias
25/06/2026





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