3 de ago. de 2026

Cálculo e Lógica gerando voadores espertos


Não foi uma, nem duas, mas várias vezes: descendo a rampa do prédio das Engenharias do Câmpus Curitiba da Sede Central da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), muito depois das 23 horas, eu parava e punha-me a explicar determinado assunto de Cálculo 3 (Cálculo Diferencial e Integral envolvendo Variáveis Complexas e Análise Vetorial) que acabara de ministrar para meus alunos dos Cursos de Engenharia (geralmente às sextas-feiras).

Vezes houve em que me sentei no chão junto com eles para debater algum ponto de dúvida. Na verdade, a grande maioria da turma permanecia atenta ao redor. Detalhe: quase sempre o estacionamento em frente à Instituição, onde deixava meu automóvel, fechava, e eu me via obrigado a pegar um táxi para retornar para casa depois da meia-noite, pois meu carro ficava lá até o dia seguinte, tendo em vista que o estacionamento fechava às 23h15.

Outras vezes, continuávamos em sala de aula mesmo muito depois do horário, que terminava às 23 horas. Alguns alunos saíam devido a terem que pegar ônibus, mas a maioria permanecia, e as perguntas se estendiam sempre. Os atendentes de alunos (os inspetores) não gostavam muito, pois necessitavam apagar as luzes e fechar as salas depois que tudo acabava. E, nestes dias, o meu carro, mais uma vez, passava a noite no estacionamento e eu retornava para casa de táxi.

Outra ocorrência marcante foi a dos alunos passando “voando” ou “nadando” nos ares pelas janelas das salas onde ministrava minhas aulas, geralmente as duas últimas da noite. As salas tinham aquelas grandes janelas no alto das paredes, próximas ao teto, voltadas para os corredores. Os alunos se organizavam e erguiam no ar seus colegas, dando a impressão real de que estavam voando ou nadando. Várias vezes paravam e davam “tchauzinho” para o professor. Houve situações, também, em que apenas as cabeças apareciam sorrindo subindo e descendo.

O interessante é que muitos desses alunos eram de turmas anteriores e já haviam tido aulas de Cálculo comigo. Segundo eles, era uma forma de homenagear o professor e manter o contato. Na verdade, era uma curtição daquelas, um agito saudável nos corredores.

Houve ocasiões em que até traziam cartazes feitos à mão com dizeres do tipo: “É isto aí mesmo, o bicho vai pegar!”, “Fiquem ligados meninada porque tudo vai mudar depois das Integrais de Superfície”, “Mestre mostra para eles o Cálculo de verdade com as variáveis baseadas em Números Quatérnios”.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Dias memoráveis. Mesmo diante da complexidade e da dificuldade dos temas tratados (sempre com o rigor da Matemática e com as temidas exigências da Lógica), as turmas se mostravam felizes e aplicadas com aquele conhecimento que tanto tem ajudado os atuais Engenheiros cuja formação acadêmica contou com minha contribuição.

Carlos Magno Corrêa Dias
03/08/2026