Em 26/07/2016, era publicado, no jornal Gazeta do Povo, no blog Giro Sustentável, o meu artigo intitulado “Nanotecnologia e sustentabilidade” no qual apresentei uma análise sobre o avanço das Ciências em escala nanométrica.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026
Ao completar dez anos da correspondente veiculação, constata-se que a Nanotecnologia deixou de ser uma especulação do tipo de “ficção científica” para se consolidar como uma realidade incontornável do arranjo científico e industrial contemporâneo.
O artigo conceituava a Nanotecnologia como o conjunto de conhecimentos e técnicas voltados à criação de dispositivos e materiais a partir do controle preciso da matéria em escala nanométrica (alocação estratégica de átomos e moléculas).
A importância do artigo reside em equilibrar o otimismo tecnológico com a responsabilidade ambiental alertando para a falta de dados consolidados sobre como os rejeitos nanométricos se comportavam na época, como eram transportados e de quais formas poderiam afetar os ecossistemas e a saúde humana a longo prazo.
Como exemplo prático, analisei o Fulereno, um nanomaterial aplicado na conversão de energia, fármacos, lubrificantes e semicondutores. Por ser insolúvel em água e possuir um interior hidrofóbico, sua liberação sem o devido tratamento pode levar à formação de aglomerados de partículas significativamente maiores que as moléculas originais. O fenômeno analisado afeta diretamente a dinâmica hídrica e a integridade dos ecossistemas aquáticos.
Diante do curto tempo de experimentação e da ausência de produção industrial massiva na época, no artigo afirmei a necessidade de estudos aprofundados para nortear futuras normas e diretrizes ambientais, o que sigo defendendo até hoje.
O ensaio aponta que o “advento nanotécnico” exige uma mudança de patamar do setor industrial, obrigando as corporações a avaliarem não apenas lucros e competitividade, mas também a manutenção da Responsabilidade Social Corporativa e o cumprimento de diretrizes sustentáveis.
Pensando em uma solução propositiva, no artigo defendo a união indissociável das três forças essenciais da Tríplice Hélice do Conhecimento-Inovação baseada na força da Lei determinada pelos Governos, no conhecimento científico desenvolvido nas Universidades e na transformação das descobertas em soluções de mercado ditadas pelas Indústrias.
Uma década após a publicação original, o pensamento expresso no artigo “Nanotecnologia e sustentabilidade” permanece como um farol. O texto demonstra que o progresso científico autêntico não é medido tão somente pela escala microscópica das estruturas que se domina, mas pela maturidade com que se alinha a inovação à preservação da vida e do planeta.
O artigo está disponível no endereço: https://drive.google.com/file/d/10alKbH9AJIW-fSyZHJJNmVIelsZDJW8b/view?usp=sharing.
Carlos Magno Corrêa Dias
26/07/2026
