9 de ago. de 2026

Refletindo sobre um bem de todos


A discussão sobre as dinâmicas globais de produção, circulação e apropriação do saber ganha um capítulo particular no artigo "O Conhecimento como Patrimônio da Humanidade".

O texto em tela propõe uma reflexão crítica e profundamente necessária ao posicionar a Ciência Aberta e o Acesso Aberto não como escolhas metodológicas secundárias, mas como imperativos éticos e políticos inalienáveis.

No artigo em referência sustento que todo conhecimento científico financiado com recursos públicos deve ser categorizado como um bem comum universal, pertencente de forma irrestrita a toda a sociedade.

Ao se contextualizar a realidade da América Latina, região que construiu historicamente uma tradição sólida e pioneira no cenário global ao estruturar ecossistemas de acesso aberto mantidos por infraestruturas públicas e plataformas acadêmicas não comerciais, o texto expõe o paradoxo financeiro imposto aos pesquisadores e instituições do Sul Global, que enfrentam barreiras econômicas perversas criadas por grandes editoras internacionais através de elevadas taxas de publicação.

Além dos entraves financeiros, o artigo detalha os conflitos estruturais entre a partilha aberta e a lógica mercantil da proteção por patentes. Demonstra-se que a circulação irrestrita das evidências científicas é o caminho mais eficiente para reduzir custos, evitar duplicações desnecessárias de pesquisas e acelerar a descoberta de soluções para os desafios contemporâneos.

Para fundamentar a superação dos correspondentes gargalos, estabelece-se um paralelo com a secular Lei do Depósito Legal ao propor a urgência de uma Engenharia da Confiança (uma arquitetura voltada a garantir a auditabilidade, a reprodutibilidade dos experimentos e a segurança do patrimônio científico nacional contra obsolescências ou cercamentos privados).

Como observado no final do texto em questão, “... o Estado deve exercer seu papel indutor indispensável, financiando o risco tecnológico e subsidiando os custos de inserção dos pesquisadores locais no cenário internacional. A formulação de manifestos técnicos e declarações conjuntas entre academias de ciências internacionais simboliza o caminho a seguir, haja vista a necessidade de uma diplomacia científica unificada, forte e focada na premissa inalienável de que o saber não é propriedade de corporações, mas sim um patrimônio perpétuo de toda a humanidade”.

Faz-se, então, o convite para a leitura na íntegra do artigo "O Conhecimento como Patrimônio da Humanidade", o qual está disponível em: (1) FNE: https://www.fne.org.br/artigos/7673-o-conhecimento-como-patrimonio-da-humanidade e (2) Seesp: https://www.seesp.org.br/site/comunicacao/noticias/item/23988-o-conhecimento-como-patrimonio-da-humanidade.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Carlos Magno Corrêa Dias
09/08/2026