O dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, convida o planeta à reflexão. O termo "sustentabilidade" ecoa em discursos corporativos, políticas públicas e campanhas publicitárias como a meta máxima do século XXI. No entanto, há uma dissonância ética e estrutural subjacente a essa celebração: a persistência da fome crônica. “Enquanto existir um único indivíduo morrendo pela falta de comida, a sustentabilidade não passará de um objetivo distante e utópico”.
DIAS, Carlos Magno Corrêa
A humanidade produz comida suficiente, mas falha miseravelmente em sua distribuição. Estimativas globais apontam que cerca de um terço de toda a produção mundial de alimentos é perdida todos os anos. Enquanto toneladas de nutrientes apodrecem nos aterros, milhares de crianças com menos de cinco anos morrem diariamente em decorrência da desnutrição.
DIAS, Carlos Magno Corrêa
Olhar para o desperdício de alimentos apenas sob a ótica humanitária, embora urgente, é negligenciar metade do problema. A produção de comida é uma das atividades humanas que mais consome recursos naturais, demandando vastas extensões de terra, bilhões de litros de água, além do uso intensivo de energia e insumos químicos.
DIAS, Carlos Magno Corrêa
Quando um terço da comida é descartado, desperdiça-se também: a água utilizada na irrigação; o combustível do transporte e da maquinaria agrícola; o esforço humano e a biodiversidade sacrificada para a abertura de pastos e lavouras.
Com a previsão de que a população mundial atinja 9 bilhões de pessoas em meados do século, manter o atual padrão de descarte significará expandir a fronteira agrícola de forma predatória. O resultado será um impacto ambiental desastroso e irreversível sobre os ecossistemas, acelerando as mudanças climáticas e a escassez de recursos.
DIAS, Carlos Magno Corrêa
Diante de um cenário assustador como o atual no campo da simbiose entre a sustentabilidade e o meio ambiente, o lema "Pensar. Comer. Conservar. Diga Não ao Desperdício", permanece tragicamente atual.
Para que a sustentabilidade deixe de ser um conceito abstrato e se torne realidade, é imperativo desenhar soluções que unam a preservação ambiental à justiça social. Isso exige uma revisão profunda que vai desde a colheita e o transporte até o comportamento do consumidor final, habituado à cultura do excesso e da rejeição a alimentos fora dos padrões estéticos comerciais.
O “Dia Mundial do Meio Ambiente” não deve servir apenas como uma data de celebração da natureza, mas um momento de autocrítica civilizatória. “A morte pela fome é absolutamente inconciliável com qualquer definição idônea de desenvolvimento sustentável. Combater o desperdício e erradicar a fome não são pautas paralelas à Ecologia, mas sim o alicerce fundamental sobre o qual a verdadeira sustentabilidade deve ser construída”.
Carlos Magno Corrêa Dias
05/06/2026



