A história das nações é escrita pelo sangue e pela coragem de seus filhos, mas poucas trajetórias brilham com a intensidade e a longevidade da do Tenente-Coronel Nestor da Silva. O lendário "Pracinha" mineiro não é apenas um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial; ele é a personificação viva da honra militar brasileira e um dos maiores heróis que este país já viu.
Nascido em 13 de julho de 1917, em Belo Horizonte (MG), Nestor da Silva iniciou sua jornada na base da hierarquia, assentando praça como voluntário em 1938. Quando o mundo mergulhou nas trevas do totalitarismo, ele embarcou para a Itália em 1944 como Segundo-Sargento do 11º Regimento de Infantaria. Nos campos gelados e mortais da Europa, Nestor da Silva comandou mais de 20 patrulhas em território inimigo, desafiando a morte em confrontos cruciais e mortais como Monte Castelo e Castelnuovo.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026
No entanto, foi na Batalha de Montese que seu nome foi gravado de forma indelével na história. Após a queda em combate do comandante de seu pelotão, o então Sargento Nestor da Silva assumiu o comando da fração com uma audácia que mudou o curso da ação. Seu desempenho foi tão excepcional que o comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), tomou uma decisão raríssima: promoveu Nestor da Silva a Segundo-Tenente por bravura em pleno campo de batalha.
A farda do Tenente-Coronel Nestor da Silva é um mapa de glórias. Detentor da Cruz de Combate de 1ª Classe (a maior honraria por bravura individual do Brasil) ele também ostenta as medalhas de Sangue do Brasil, de Campanha, da Ordem do Mérito Militar e a do Pacificador.
Após a guerra, sua sede de servir não arrefeceu. Nestor da Silva tornou-se um oficial de elite, servindo na Brigada de Infantaria Paraquedista por sete anos, onde se especializou como Mestre de Salto, e integrando o Estado-Maior do Exército. Sua carreira é o exemplo máximo da transição do "soldado do povo" para o oficial altamente respeitado.
Em sessões solenes no Senado e na ALESP, o gigante Tenente-Coronel Nestor da Silva foi a figura central das celebrações dos 80 anos da Vitória. “Ver um homem centenário que outrora enfrentou as metralhadoras nazistas (as temidas e mortais metralhadoras MG 42 alemãs apelidadas de “Lurdinhas”), levantar-se para saudar a bandeira com a mesma lucidez de um jovem cadete, é uma lição de patriotismo que comove gerações”.
Sua longevidade parece ser, também, uma missão: a de garantir que o sacrifício dos brasileiros que foram à Itália jamais seja esquecido. Nestor da Silva é o "último escalão", a testemunha ocular que mantém acesa a chama da “Cobra que Fumou”.
O Tenente-Coronel Nestor da Silva não é apenas um veterano; ele é um monumento nacional. Sua trajetória ensina que o verdadeiro herói é feito de resiliência, humildade e um amor incondicional à liberdade.
Hurra! Hurra! Hurra! Salve o Herói Imortal Nestor da Silva!
Carlos Magno Corrêa Dias
21/02/2026
