“No panorama da Educação Superior e do Desenvolvimento Tecnológico do Brasil, poucas iniciativas revelam-se tão visionárias quanto a estruturação de programas que buscam na raiz do pensamento formal a solução para os desafios práticos do mundo real”.
Em 1996, o Departamento de Matemática e Física do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologias (CCET) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) consolidava a segunda oferta do Curso de Especialização (“Lato Sensu”) em Lógica do Conhecimento Científico, o qual idealizei, organizei e coordenei.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026
Passados trinta anos daquela proposição, celebra-se o papel perene da Lógica como o tecido conectivo entre a Ciência, a Docência e a Inovação Tecnológica dado que, até hoje, aquela proposição, nascida não apenas como um itinerário acadêmico, mas como um manifesto em prol do "bem pensar" e da autonomia intelectual, se mostra relevante e atual.
Na base daquela Especialização estava a premissa: "A Ciência tem gerado produtos extraordinários; mas não basta apresentar ao educando apenas as ‘ferramentas’, deve-se, também, e principalmente, ensiná-lo a construí-las através dos pressupostos lógicos que lhe deram origem; pois, do contrário, o futuro profissional será uma máquina utilizável".
“Em meados da década de 1990, o Brasil testemunhava uma rápida inserção de novas tecnologias nos processos produtivos, administrativos e educacionais. Contudo, havia um efeito colateral preocupante: “o privilégio do princípio mecânico-utilitário em detrimento dos fundamentos racionais”. O mercado demandava (e ainda demanda) Profissionais capazes de tomar decisões complexas, mas faltava à formação tradicional uma base sólida que blindasse o indivíduo contra o erro e o argumento falacioso”.
A Especialização da PUCPR em tela foi desenhada para preencher a lacuna epistemológica evidenciada. O objetivo central transcendia a mera memorização de fórmulas; residia em dotar os participantes de ferramentas formais para “identificar e corrigir sofismas; modelar a realidade; e, integrar saberes”.
A “robustez” da Especialização em questão refletia-se em uma matriz curricular que conseguia transitar entre a tradição clássica e o estado da arte da Computação e da Filosofia da época. Analisada sob a perspectiva histórica, o conjunto de disciplinas oferecido revela um equilíbrio técnico e humanista de forma que a arquitetura permitia ao Pós-Graduado compreender desde o Silogismo Aristotélico e os Diagramas de Venn até a complexidade dos Conjuntos Difusos (em “Lógica Fuzzy”), os Mapas de Karnaugh na Lógica Digital e a Programação na Linguagem PROLOG em Inteligência Artificial (IA).
Sem medo de errar, pode-se ser categórico e afirmar: a razão da “Especialização em Lógica do Conhecimento Científico” de 1996 é motor que segue impulsionando a inovação.
Carlos Magno Corrêa Dias
19/06/2026
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