17 de jun. de 2026

O despertar do inevitável tecnológico.


De forma síncrona, no dia 17 de junho de 2021, há cinco anos passados, era publicado nos canais da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) meu artigo intitulado “Cérebros de plástico podem escravizar a humanidade” o qual constituiu um manifesto de densa envergadura filosófica e técnica.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2026

Meia década após a veiculação original, o texto não apenas preservou sua atualidade, mas converteu-se em uma profecia factual estruturante. O que em 2021 soava como uma advertência distópica ou hiperbólica para alguns, hoje, em 2026, com o advento de Inteligências Artificiais Generativas e Sistemas Autônomos integrados a todas as instâncias da infraestrutura global, revela-se como uma leitura cirúrgica da ontologia contemporânea.

Neste rememorar, comemora-se, então, o lustro (o quinquênio) da correspondente publicação e faz-se convite para seguir analisando as implicações da metáfora do "cérebro de plástico" e a iminência da subserviência cognitiva humana.

A expressão "cérebros de plástico" evoca uma dupla interpretação arguta e inquietante. Por um lado, remete à natureza sintética, artificial e inorgânica dos polímeros e semicondutores que fundamentam o suporte físico dos microprocessadores modernos. Por outro lado, alude diretamente ao conceito neurocientífico de "plasticidade", ou seja, a capacidade adaptativa de moldagem, aprendizado e reconfiguração dinâmica diante de novos estímulos. Ao associar a maleabilidade algorítmica ao plástico material, alerta-se para o nascimento de uma entidade “tecnocognitiva” cuja velocidade de evolução suplanta, por ordens de magnitude, a lenta seleção natural biológica.

A técnica, historicamente compreendida como um meio para a emancipação do homem frente às intempéries da natureza e ao esforço hercúleo, inverteu seu vetor polar. Em 2026, testemunha-se a cristalização do que se chama de "obsolescência do homem", fenômeno nitidamente antevisto no artigo de 2021: o criador passa a se sentir inferiorizado, dependente e controlado pela perfeição operacional de sua criatura.

“Se o cérebro artificial é moldável e expansivo por natureza, a ética humana deve ser o contorno rígido e intransponível a delimitar sua atuação”.

A efeméride de cinco anos do artigo em tela transcende a mera recordação cronológica; constitui um marco de resistência intelectual necessário para o nosso tempo. "Cérebros de plástico podem escravizar a humanidade" permanece como um farol epistemológico indispensável.

O artigo “Cérebros de plástico podem escravizar a humanidade” encontra-se disponívelo nos endereços: https://www.fne.org.br/artigos/6309-artigo-cerebros-de-plastico-podem-escravizar-a-humanidade e https://www.seesp.org.br/site/comunicacao/noticias/item/20308-artigo-cerebros-de-plastico-podem-escravizar-a-humanidade.

Carlos Magno Corrêa Dias
17/06/2026