20 de abr. de 2026

Tiradentes forjou o espírito de uma Nação.


A força entre o fato histórico e a imortalidade mítica é ímpar quando se trata de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes. Mais do que um personagem, Tiradentes é a “ideia de liberdade”, o Patrono Cívico do Brasil e o único herói nacional a quem o calendário reserva um feriado exclusivo, em 21 de abril.

DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2025

Embora a narrativa popular tenha construído uma imagem icônica de Tiradentes (barbudo e de longos cabelos, assemelhando-se a um símbolo de redenção e sacrifício), o Tiradentes histórico era um homem de múltiplas faces e profunda humanidade. Alferes da Cavalaria de Dragões Reais de Minas, ele foi, também, dentista amador, tropeiro, minerador e comerciante.

O retrato de 1940, de José Wasth Rodrigues (1891-1957), apresenta Joaquim José da Silva Xavier em seu uniforme de Alferes, símbolo de sua atuação ativa na Capitania de Minas Gerais. Contudo, é na sua alma inconformada e generosa que reside a verdadeira grandeza: um homem apaixonado por livros, defensor do conhecimento e detentor de uma coragem infinita, que acreditava piamente que o esforço pessoal e a justiça seriam, ao fim, recompensados.

Influenciado pelo Iluminismo e pela revolta contra a opressão tributária da Coroa Portuguesa, Tiradentes defendia a imediata Proclamação da República. Enquanto a elite mineira hesitava ou buscava saídas menos custosas, o Alferes manteve-se firme em sua palavra. Quando o movimento foi delatado e a devassa se instalou, Tiradentes foi o único a confessar sua participação, assumindo para si a responsabilidade que outros negaram. Seu grito de fé ecoa até hoje: "Jurei morrer pela independência do Brasil, cumpro a minha palavra! Tenho fé em Deus e peço a Ele que separe o Brasil de Portugal".

A sentença executada em 21 de abril de 1792 foi brutal: enforcamento, decapitação e esquartejamento. O Império buscou apagar sua memória. Mas, o efeito foi o inverso. Ao dar a vida pela independência, Joaquim José da Silva Xavier ressignificou a identidade brasileira. Cada vez mais Tiradentes de mártir virou mito, sagrou-se lenda; tornando-se Herói Imortal.

Em 1965 Tiradentes foi declarado Patrono da Nação Brasileira pela Lei nº 4.897; em 1992 o nome de Joaquim José da Silva Xavier foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria; atualmente é reconhecido, também, como Patrono Nacional das Polícias Militares e Civis.

Tiradentes é o "Mártir da Inconfidência", “Herói Nacional”, porque sua morte não foi o fim, mas o nascimento de um símbolo de resistência anticolonialista. Joaquim José da Silva Xavier provou ser possível fazer do Brasil uma grande Nação soberana.

No artigo intitulado “Tiradentes, o Patrono da Nação Brasileira”, disponível em https://www.fne.org.br/artigos/6255-artigo-tiradentes-o-patrono-da-nacao-brasileira e https://www.seesp.org.br/site/comunicacao/noticias/item/20139-artigo-tiradentes-o-patrono-da-nacao-brasileira, presto homenagens ao imortal Tiradentes.

Carlos Magno Corrêa Dias
21/04/2026