Em 04/01/2021, era publicado na página oficial do Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo) meu artigo intitulado “A humanidade pode em 2021 conquistar o fim da fome no mundo”, o qual se encontra disponível no endereço https://www.seesp.org.br/site/comunicacao/noticias/item/19836-artigo-a-humanidade-pode-em-2021-conquistar-o-fim-da-fome-no-mundo.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2025
A fome, um flagelo por si só, persiste no século XXI não por incapacidade produtiva, mas como resultado de uma profunda falha ética e política. Naquele artigo publicado proponho uma reflexão necessária: em um mundo marcado por tecnologias disruptivas, por que a humanidade ainda permite que milhões de pessoas morram por falta de alimento? Minha análise propõe argumentos que vinculam a erradicação da fome à paz, ao combate ao desperdício e à reorientação das prioridades globais.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2025
No texto chamo a atenção para a questão da "invisibilidade" da fome. Argumento que as divergências estatísticas sobre o número de mortos muitas vezes ocultam a precariedade dos sistemas de levantamento nas regiões mais pobres. Afirmo que é um contrassenso histórico que, na era da Quarta Revolução Industrial, onde a inovação deveria promover o bem-estar universal, o fenômeno da insegurança alimentar atingia quase um quarto da população mundial. A tecnologia da época, embora avançada e multifacetada, falhava em sua função social primária ao não conseguir garantir o direito básico à vida.
DIAS, Carlos Magno Corrêa - 2025
Destaco o "Paradoxo da Abundância" dado que se produzia comida suficiente para todos, mas perdia-se cerca de um terço da produção total por ano. O desperdício ocorria (e ainda ocorre) tanto por falhas logísticas quanto pela cultura do excesso, especialmente em países com vasta extensão territorial e recursos abundantes, como o Brasil. Ressalto que (na época) apenas 25% do alimento que vai para o lixo seria suficiente para alimentar todos os que passavam fome.
Escrevi o artigo no auge das incertezas geradas pela Covid-19 fazendo um alerta que a crise sanitária agravou a desnutrição, adicionando milhões de pessoas à linha da pobreza extrema. Lamentei que, em vez de despertar uma solidariedade renovada, a pandemia, também, serviu para o oportunismo de agentes que se aproveitaram dos menos favorecidos.
No geral, no artigo apresento um manifesto contra a indiferença e recordo que a fome é um anacronismo inaceitável em um planeta tecnologicamente maduro.
O combate ao mal da fome não depende de novas descobertas científicas, mas de uma reestruturação de valores: priorizar a vida sobre o lucro, a paz sobre o conflito e a eficiência distributiva sobre o desperdício irresponsável. Erradicar a fome é, acima de tudo, o teste definitivo para a evolução da nossa espécie.
Em 2026, a fome continua sendo não um problema de escassez, mas sim de gestão e prioridades. A fome faz sofrer. A fome mata.
Carlos Magno Corrêa Dias
10/02/2026


