7 de fev. de 2026

O homem e a navegação em espaços confinados.


No dia 27/01/2026 foi realizada a palestra "O Fator Humano na Navegação em Águas Restritas" na qual exploraram-se temas relacionados à interseção entre a Psicologia Aplicada, a Engenharia de Sistemas e a Operação Marítima de Alto Risco.

Cembra / Adaptação / Divulgação - 2026

Sempre foi desafio dos mais complexos a “Navegação em Espaços Confinados”. “A navegação em águas restritas (tais como em canais de acesso, portos e bacias de evolução) representa o cenário de maior pressão cognitiva para a guarnição de passadiço”. “Diferentemente da navegação em mar aberto, o erro na navegação em águas restritas possui margens de tolerância mínimas e consequências imediatas, que variam de desastres ambientais severos a perdas patrimoniais bilionárias”.

Convidado pelo Cembra (Centro de Excelência para o Mar Brasileiro), organização brasileira focada em promover o conhecimento, a preservação e o desenvolvimento sustentável da "Amazônia Azul" do Brasil, tive o privilégio de aprender um pouco sobre a Segurança e Gestão dos Riscos associadas à Navegação em Águas Restritas as quais têm no “Fator Humano” o elemento central de todo o correspondente processo.

“Um dos pilares da discussão é a transição da visão do "erro humano" como causa raiz para o entendimento do modelo sociotécnico”. Baseado na obra “Human Factor in the Maritime Domain”, o conceito em questão propõe que “um acidente nunca é fruto de um ato isolado, mas sim do colapso de um sistema composto por limitações fisiológicas (fadiga, estresse) e cognitivas; cultura de segurança, pressão por cumprimento de horários e qualidade do treinamento; interfaces homem-máquina (HMI) que podem induzir ao erro ou sobrecarregar o operador; bem como condições hidrometeorológicas e a própria complexidade das águas restritas.

A palestra destacou que o "erro" é, em muitas das vezes, uma consequência de sistemas mal projetados que relegam o “Fator Humano”. Assim, tratando o “Fator Humano” como área de conhecimento pode-se: (a) reconhecer limitações da mente humana que sabidamente possui capacidade limitada de processamento sob estresse; (b) criar barreiras eficazes implementando “redundâncias” que não dependam apenas da atenção contínua, mas de processos que "perdoem" o erro técnico; e, (c) possibilitar a consciência situacional a qual está centrada na habilidade de perceber, compreender e projetar o que acontecerá com a embarcação nos próximos minutos.

Conforme evidenciado, “navegar em águas restritas exige mais do que perícia técnica; exige a humildade de reconhecer a vulnerabilidade humana”. O “Fator Humano” não deve ser visto como o "elo fraco", mas como a barreira final de inteligência capaz de interpretar o que os sensores não mostram. “A segurança operacional sólida nasce quando se aceitam que o erro é inevitável, mas o desastre é evitável por meio do planejamento, da tecnologia integrada e, sobretudo, do respeito às limitações e capacidades de quem comanda”.

Carlos Magno Corrêa Dias
07/02/2026